Dólar dispara 8,15%, a R$ 3,389, e Bolsa despenca 8,8% após delação da JBS

dólar comercial disparou nesta quinta-feira (18) e fechou em alta de 8,15%, cotado a R$ 3,389 na venda, em um dia de pânico no mercado brasileiro e com forte intervenção do Banco Central. Esse foi o maior salto desde janeiro de 1999, quando o câmbio deixou de ser controlado pelo governo. Na véspera, o dólar havia subido 1,23%.
Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, despencou 8,8%, a 61.597,06 pontos. Foi o maior tombo desde 22 de outubro de 2008, no auge da crise financeira internacional, quando caiu 10,18%. Na véspera, a Bolsa havia caído 1,67%.
O mercado reagiu após o jornal "O Globo" publicar, na véspera, delação de Joesley Batista, um dos sócios da JBS, que envolve diretamente o presidente Michel Temer. Para especialistas, o governo foi fortemente abalado, assim como a continuidade das reformas, consideradas essenciais para a economia. Em pronunciamento nesta tarde, Temer disse que não irá renunciar.

Ações da Eletrobras despencam 21%

As ações das empresas estatais registraram fortes quedas no dia. A Eletrobras despencou 20,97% e teve a maior baixa do Ibovespa.
As ações ordinárias da Petrobras (com direito a voto em assembleia) perderam 11,37%, enquanto os preferenciais (com prioridade na distribuição de dividendos) caíram 15,76%. Os papéis do Banco do Brasil despencaram 19,91%.
As ações da JBS, empresa pivô da crise no governo, tombaram 9,68%.
A Bolsa atingiu nesta quinta) a marca histórica de 3.107.723 negócios no segmento Bovespa. O recorde anterior era de 2.582.718 negócios, registrado em 27 de outubro de 2014.

Mercado em suspenso

Diante das acusações, o mercado de dólar, que normalmente abre às 9h, só registrou operações às 10h40, com investidores esperando para negociar a moeda.
Poucos minutos após a abertura, às 10h21, a Bolsa teve de interromper as negociações quando o Ibovespa caía 10,47%, a 60.470 pontos. Os negócios ficaram parados por 30 minutos e, quando voltaram, registravam queda de mais de 10%.
A suspensão dos negócios é um mecanismo chamado "circuit breaker". O mecanismo também é usado em outros mercados no mundo e serve para garantir proteção quando há grande instabilidade em momentos atípicos do mercado.

Atuação do BC

Na tentativa de conter o avanço do dólar, o Banco Central intensificou a intervenção no mercado e fez quatro leilões de swap cambial (operação equivalente à venda futura de dólares) nesta sessão. Normalmente, o BC faz um leilão por dia.
No primeiro leilão, o BC ofertou 40 mil contratos de swap. Em seguida, ofertou 15.325 swaps que "sobraram" da primeira operação. O terceiro leilão de swap disponibilizou mais 40 mil contratos. Logo depois, o BC anunciou um quarto leilão, com oferta de 10.750 contratos.
Já o Tesouro suspendeu o leilão de venda de títulos públicos LTN (Letra do Tesouro Nacional) e LFT (Letra Financeira do Tesouro) programado para esta sessão.
(Com Reuters)

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