Polícia faz análise química de fuzis apreendidos no Galeão

De acordo com a Polícia, o armamento saiu de Miami, nos EUA

A Polícia Civil começou a analisar nesta sexta-feira (2) os 60 fuzis apreendidos na quinta-feira (1) no terminal de cargas do Aeroporto Internacional Tom Jobim, na maior apreensão de armas já feita no Rio.
Como a numeração das armas está raspada, elas estão passando por uma análise química, na Cidade da Polícia, onde peritos esperam conseguir chegar a essa numeração e aí entrar em contato com a fábrica das armas que fica nos Estados Unidos para ter acesso a lista dos compradores.
Foram apreendidos 45 fuzis Ak-47, o mais usado pelos traficantes do Rio, pois dispensa manutenção; além de 14 fuzis AR-10 e 1 fuzil G3, de alto poder bélico.
De acordo com a Polícia, o armamento saiu de Miami, nos EUA e chegou em dois vôos ao Brasil dentro de aquecedores de piscinas junto com munições e carregadores. Segundo os agentes, cada fuzil é comercializado no Rio por cerca de R$ 70 mil. A carga já estava no aeroporto há cinco dias esperando liberação.
De acordo com a Polícia, as investigações sobre a quadrilha de armas tiveram início após a morte de um policial em São Gonçalo, há um ano e meio, onde se percebeu a incidência do fuzil americano AR-10 em ações de traficantes e em roubos de cargas no Estado.
Na operação desta quinta-feira (1) quatro pessoas foram presas na operação, duas em Niterói, uma na Baixada Fluminense e uma em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. Os presos são Luciano de Andrade Faria, que é dono de uma transportadora; o despachante aduaneiro, Márcio Pereira e João Vitor Silva Rosa, que seria o responsável pela venda das armas nas favelas cariocas, além de um comparsa dele, José Carlos dos Santos Lins.
A Polícia acredita que pelo menos outras 30 cargas com armamentos já passaram pela rota Miami-Brasil e abasteceram os traficantes no Rio.
Conforme dados do Instituto de Segurança Pública o número de apreensões de fuzis aumentou nos quatro primeiros meses do ano em comparação com 2016. No ano passado foram 93 apreendidos entre janeiro a abril. Este número subiu para 139 este ano.
O Secretário de Segurança Pública do Rio, Roberto Sá falou sobre a necessidade da implantação de um pacto nacional, além de aumentar as punições para poder combater o tráfico de armas no Estado. “A Polícia apreende uma arma de fogo por hora, era um fuzil por dia. Em 2017 está quase chegando a dois porque falta um pacto nacional. É importante ressaltar que em um legislação mais evoluída, mas para mim já defasada também, a 8.072, o tráfico de drogas é crime assemelhado a hediondos, o tráfico de armas não é. Eu já disse e repito e encaminhei para Brasília (Congresso Nacional) um pedido para dobrar todas as penas para quem porta arma de fogo de calibre restrito.”
Roberto Sá ainda ressaltou que diante da crise financeira do Estado a situação poderia estar ainda pior se não fosse o comprometimento dos policiais. “Se hoje está ruim, imagina como poderia estar se essas Polícias não trabalhassem com esse comprometimento apesar de toda a crise. Como disse, o traficante sem essas armas aí não vai formar bonde para encarar a Polícia, nem para tomar outro morro e nem para fazer roubo de carga, nem roubar joalheria, carro e tirar a vida de ninguém.”
Ainda segundo a Polícia Civil, um brasileiro que atua no mercado de importação e exportação em Miami está sendo procurado e todas as cargas emitidas por ele para o Rio de Janeiro estão sendo monitoradas. (Sputnik News Brasil)

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