Base aliada do presidente Temer no Congresso dá sinais de abandono

Tasso diz que crise está levando país à ingovernabilidade e apoia Maia. Governo tenta conter a perda de apoio trocando deputados na CCJ.

A semana chega ao fim com a base de sustentação política do presidente Michel Temer dando sinais de dispersão, de abandono. Nos bastidores, os políticos já dão como certo o afastamento de Temer da Presidência.
A cada dia aumentam as vozes no Congresso que consideram inevitável o afastamento de Temer, o que colocaria Rodrigo Maia provisoriamente na Presidência da República. Na quinta-feira (6), o presidente em exercício do PSDB, Tasso Jereissati, disse que a crise está levando o Brasil à ingovernabilidade e que Maia tem condições de dar estabilidade ao país.
Em sentido contrário, nesta sexta-feira (7), o também tucano Aloysio Nunes , ministro das Relações Exteriores, saiu novamente em defesa de Temer. Ele disse que “do ponto de vista dos interesses do Brasil, não poderia haver ocasião mais inoportuna para os recentes ataques de dirigentes do PSDB ao presidente da República, quando ele representa nosso país na cúpula do G20”.
Horas depois, outra liderança do PSDB, o vice-presidente do Senado, Cássio Cunha Lima, voltou a dizer que Temer perdeu as condições de governar o país. Ele afirmou que seis dos sete deputados do PSDB na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara já decidiram votar contra Temer. E defendeu que o PSDB siga o quanto antes a vontade dos deputados de deixar o governo.
“Há uma deterioração sim do quadro político nacional. O partido vai ter que escolher se quer ficar com sua bancada na Câmara ou se quer ficar com o conforto dos cargos no governo. Eu ficarei com a bancada na Câmara Federal, que é quem tem a responsabilidade de tomar essas decisões, que está com o pescoço na guilhotina, que está na linha de frente e que não pode essa bancada ser abandonada pelo partido”, afirmou o vice-presidente do Senado.
O governo tenta conter a perda de apoio trocando deputados na CCJ. Já são cinco substituições de deputados de partidos aliados do governo em dez dias.
“Em um momento dramático como esse na vida nacional, querer ser representado pela CCJ por gente que efetivamente leve a posição do partido. Então eu vejo como absolutamente normais as mudanças que estão acontecendo”, disse o deputado Carlos Marun (PMDB-MS).
A oposição critica a estratégia.
“Trocar a condição de suplente por condição de titular na CCJ é expressão de desespero”, declarou a deputada Érika Kokay (PT-DF).
O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, têm feito apelos aos governadores em busca de apoio a Temer, mas eles não estão conseguindo o resultado que esperavam. O clima no governo é de desânimo. E, no Palácio do Planalto, aumenta a sensação de que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, está trabalhando nos bastidores para ficar no lugar de Temer.
Rodrigo Maia nega. Em viagem à Argentina, disse que seu papel é manter posição de neutralidade no processo.
“Como presidente da Câmara neste momento, eu disse ontem a vocês, não me cabe fazer defesas na tribuna da Câmara, na presidência da Câmara, me cabe ser o coordenador da votação do processo da denúncia e é por isso que eu tenho me mantido afastado do tema. Eu aprendi em casa a ser leal, a ser correto e serei com o presidente Michel Temer sempre”, disse o presidente da Câmara.
O relator da denúncia na CCJ, Sergio Zveiter, do PMDB, disse que já escreveu o parecer e que deve ser entregue na segunda-feira (10). Ele afirmou que está fazendo um trabalho jurídico, sem concessões políticas.
“Eu concluí a elaboração hoje. Pretendo fazer a última revisão amanhã, porque, se tudo correr bem, na segunda-feira eu tenho que ler o meu relatório lá na Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania. Então já terminei e amanhã eu vou fazer os últimos ajustes. Quem vai dar a resposta não sou, é o Poder Legislativo, que é um poder autônomo e independente. Que se manifesta através do resultado da votação de todos os deputados e deputadas que estiverem presentes primeiro na CCJ e, depois, no plenário da Câmara”, disse o relator.
Nesta sexta-feira, os deputados Afonso Mota e André Figueiredo, do PDT, pediram que o Supremo suspenda o andamento da denúncia contra Temer na CCJ até que a comissão decida ouvir testemunhas. E o deputado Alessandro Molon, da Rede, entrou com mandado de segurança para obrigar a CCJ a ouvir o procurador-geral da República, os peritos que analisaram a gravação de Temer com Joesley Batista e outras testemunhas.
Na quinta-feira, o presidente da CCJ disse que não cabe à comissão produzir provas e, por isso, foi contra os depoimentos. Mas, ao contrário do que quer o governo, Rodrigo Pacheco voltou a afirmar, nesta sexta, que não vai haver pressa para encerrar o debate na comissão. Levará o tempo que for necessário.
“Nós vamos preservar todos os direitos de todos os deputados se manifestarem, de promoverem as questões de ordem e vamos recolhê-las, e vamos decidir todas as questões”, disse o presidente da CCJ, deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG).

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