Em entrevista, Buchecha fala das novidades de sua carreira

No final de 2015, num momento em que o funk voltava a ser prioridade para algumas gravadoras e inúmeros escritórios de shows, com vários jovens artistas consolidando seu sucesso, Buchecha mostrou que, mesmo com duas décadas de carreira, sua bandeira continuava fincada no território do gênero, com o lançamento de Funk Pop, álbum repleto de agradáveis regravações de hits do funk melody carioca dos anos 90 e 2000. A maioria extraída do repertório da dupla com o saudoso Claudinho. E quase todos em dueto com grandes nomes da música nacional, tais como Paralamas do Sucesso, Lenine, Rogério Flausino e Adriana Calcanhotto.
No ano passado, mesmo durante o trabalho de divulgação do disco, o artista lançou outros singles inéditos, como Pra me dominar (com o DJ Tubarão) e Santinha (com Dennis DJ). “As coisas vão acontecendo, uma atrás da outra, e eu vou trabalhando. É legal gravar com DJs renomados do funk atual. Os chamados “feats” são uma tendência. Tenho aliás outra canção engatilhada, com o DJ Detonna. Deve ser lançada em breve”, revela. Buchecha também gravou recentemente a inédita Se eu pedir. “Originalmente, era pra entrar numa trilha de novela. Não rolou, mas gosto muito da canção. Quero incluí-la num próximo trabalho”, conta.
Apesar destes singles, o artista não descarta voltar ao projeto Funk pop com a gravação de um DVD. “Após o lançamento do CD, não consegui cair na estrada com dois projetos paralelos. Segui o repertório mais tradicional dos shows, com as canções que o público sempre pede. Então, seria até muito justo agora fazer um show nos moldes de Funk pop e gravá-lo em DVD”, vislumbra. Inquieto, Buchecha também sonha com um projeto com vozes femininas, algo semelhante ao Buchecha romântico com elas, CD lançado em 2010. “Gostaria de fazer um volume 2. Acho o maior barato juntar as vozes agudas das meninas com os graves dos homens. Mas, calma, por ora é só um devaneio mesmo (risos)”.
Enquanto novos DVDs não vem, os fãs vão aproveitando outras novidades, como as recentes parcerias com Mc Menor e a revelação Jessi. O dueto com a cantora surgiu ao acaso. Buchecha adorou uma canção que ouviu num evento e quis saber quem estava cantando. “Achei muito linda a voz e aí conheci o trabalho da Jessi. Sugeri ao empresário dela fazer uma parceria e ele pediu para eu compor algo para gravarmos. Eu já tinha uma música pronta, chamada Imprevisto. A Jessi gostou bastante e acabou rolando”, lembra. Já a colaboração com Menor nasceu pelo caminho inverso. O convite partiu do jovem artista, após um contato pelas redes sociais. “Ele se declarou fã do meu trabalho pelo Twitter e eu respondi, como faço com todos os fãs. Ficamos amigos e veio a ideia de gravarmos”. O clipe da faixa Abençoada por Deus estreou no YouTube no final de maio e teve 600 mil visualizações somente nas primeiras 24 horas.
Da mesma maneira que conheceu Menor no Twitter, Buchecha conversa diariamente com os fãs pelas redes sociais, divulgando novidades de sua carreira ou simplesmente comentando os mais diversos assuntos. “Acho importante interagir nas redes sociais. Hoje se fala de tudo e com todos, democraticamente. Política, cultura, esportes… sempre que posso opinar, não me faço de rogado. Brinco bastante quando o papo é futebol. E gosto de interagir com ações sociais. Creio que podemos usar a mídia como um canal de solidariedade ao próximo, sem fazer politicagem”.
CASAMENTOS E BAILES
Versátil e sempre com a agenda concorrida, Buchecha é um dos artistas mais solicitados para casamentos e festas de debutantes. Nestes eventos, faz questão de apresentar um show diferenciado, entrando no clima da celebração. “É um dia mágico pra todos, então tem que ser também pra mim e minha equipe. O repertório é maleável, as pessoas podem escolher até um determinado prazo, mas geralmente acabam pedindo sempre as minhas canções de sucesso. Faço meu show e também participo da festa, tento curtir como todos que lá estão”, diz.
Essa camaradagem do cantor não se restringe aos palcos e redes sociais. Buchecha também é generoso ao falar sobre os novos ídolos do funk. “Tem muita gente boa atualmente. A Anitta é uma realidade já quase internacional; tem o Kekel, que faz um trabalho marcante; e o Livinho, que tem qualidade pra explodir. Gosto muito também da obra autoral do MC Menor e amo a voz e o deboche da Ludmilla. É a voz mais bonita do funk no momento”, elogia.
No entanto, o artista não esconde uma leve predileção pela velha guarda. “Não tem jeito, ainda sou apegado demais aos clássicos (risos). Marcio G, Mc Marcinho, Leozinho, Koringa, Cidinho & Doca e tantos outros – incluindo Claudinho & Buchecha. Quando viajo de carro, levo todos os CDs da dupla pra ouvir durante o percurso. Surge um filme na minha lembrança, bate aquela nostalgia… é bom demais”.
Depois de duas décadas de carreira, mas ainda com cara de menino, Buchecha segue inspirando jovens funkeiros. Mais importante, continua compondo, produzindo e agitando as pistas com a mesmo pique de quando surpreendeu o mundo do funk com melodias mais pop e letras românticas, em meados dos anos 90. O “funk pop” do cantor virou “clássico”, mas não sai de moda.
Por Messias Bezerra

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