Um ano após impeachment de Dilma, país segue imerso em crise política

Quando deixou a Presidência da República, no dia 31 de agosto de 2016, Rousseff disse que "a história seria implacável"; neste 31 de agosto de 2017, Michel Temer tem apenas 5% da aprovação popular e é o primeiro presidente do Brasil acusado de um crime no exercício da função

Um ano após impeachment de Dilma, país segue imerso em crise política
Há um ano, por 61 votos a 20, o plenário do Senado decidia pelo impeachment de Dilma Rousseff. Não houve abstenção. O resultado, que ocorreu por volta das 13h30, foi comemorado com aplausos por aliados do presidente interino Michel Temer, que cantaram o Hino Nacional.
No seu discurso à imprensa, Dilma afirmou que a “história seria implacável". "Hoje, o Senado Federal tomou uma decisão que entra para a história das grandes injustiças. Os senadores que votaram pelo impeachment escolheram rasgar a Constituição Federal. Decidiram pela interrupção do mandato de uma presidenta que não cometeu crime de responsabilidade", afirmou.À época, coube ao então chefe do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, que comandou o julgamento do processo no Senado, anunciar o placar da votação. Antes de Dilma, Fernando Collor, primeiro presidente eleito por voto direto após a ditadura militar, já havia sido afastado do poder em um processo de impeachment, no ano de 1992.
Momentos depois, por volta das 16h daquele dia, Temer (PMDB) tomava posse e assumia oficialmente o comando do país, com a promessa de ser um governo de “travessia para dias melhores”.
Dia 31 de agosto de 2017, Michel Temer segue no poder, mas detém apenas 5% da aprovação da população, de acordo com pesquisa realizada pelo CNI/Ibope. A menor aprovação de Dilma, segundo a Exame, foi de 9%, em junho e dezembro de 2015.
Passados 365, o desgaste político segue em alta, inclusive com o presidente da República à beira de ser denunciado, mais uma vez, pelo Ministério Público Federal, acusado nos crimes de formação de organização criminosa e obstrução de justiça. Antes, em junho último, já havia se tornado o primeiro presidente brasileiro a ser acusado de um crime, o de corrupção passiva, no exercício da função.
Dilma Rousseff usou suas redes sociais para se pronunciar sobre a data. "Espero que saibamos nos unir em defesa de causas comuns a todos os progressistas. Nós voltaremos", escreveu ela, ao compartilhar seu último discurso como presidente do Brasil.
Para o cientista político da consultoria Tendências, Rafael Cortez, o impeachment mostrou a vulnerabilidade do mandato presidencial. “Na teoria, o sistema presidencialista é aquele que opera com um mandato forte do presidente. O impeachment de Dilma, por outro lado, mostrou que essa engrenagem é falha”, diz.
Ainda segundo ele, o processo foi extremamente traumático para a democracia brasileira. “A tensão gerada por esse rompimento também evidenciou a falta de confiança entre os partidos políticos, o que impede a construção de uma governabilidade minimamente estável”, afirma Cortez.
Histórico
O processo de impeachment começou a tramitar no início de dezembro de 2015, quando o então presidente da Câmara dos Deputados e um dos maiores adversários políticos de Dilma, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), aceitou a peça apresentada pelos advogados Miguel Reale Jr., Janaína Paschoal e Hélio Bicudo. As informações são da Agência Brasil.
No pedido, os três autores acusaram Dilma de ter cometido crime de responsabilidade fiscal e elencaram fatos de anos anteriores, mas o processo teve andamento apenas com as denúncias relativas a 2015. Na Câmara, a admissibilidade do processo foi aprovada em abril e enviado ao Senado, onde foi analisada por uma comissão especia, onde foi aprovado relatório do senador Antonio Anastasia (PMDB-MG) a favor do afastamento definitivo da presidenta.
Entre as acusações as quais Dilma foi julgada estavam a edição de três decretos de crédito suplementares sem a autorização do Legislativo e em desacordo com a meta fiscal que vigorava na época, e as operações que ficaram conhecidas como pedaladas fiscais, que tratavam-se de atrasos no repasse de recursos do Tesouro aos bancos públicos responsáveis pelo pagamento de benefícios sociais, como o Plano Safra.
Por Messias Bezerra / Notícias ao Minuto

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